Pastoral da Escuta

A Pastoral da Escuta quer ser um eficaz instrumento para o desenvolvimento humano, um processo criativo e desafiador, que o “Santa Clara” disponibiliza aos pais, professores e funcionários.
Ao ultrapassar os próprios limites, o ser humano mergulha no Transcendente, o além de si e se encontra com “Aquele que é”. Nessa relação, Criador x criatura, percebe-se como aquele “que está sendo”, num jeito próprio de ir-se con-figurando com o projeto primeiro da intencionalidade do ser: colocar-se em construção.
Perpassando as etapas da vida, na prática do Cotidiano, verifica-se que essa mesma vida sempre espera de mim, de nós, “correspondência” às suas propostas sutis e desafiadoras. E o processo exige adequação à essência da natureza humana: um ser analógico, portanto, existencial e singular, capaz, ele mesmo, de se autorresponsabilizar pela construção, tomando nas mãos o fio condutor de sua história.
Dessa realidade aprende a colocar-se com abertura às responsabilidades que a existência lhe oferece, acolhendo o relativo de cada situação e, ao mesmo tempo, processando o possível, pois “no possível tudo é possível”.
Nesse caminho humano, o vazio deriva-se da angústia, que “não deixa ninguém se enganar, porque recorda o espantoso nada que somos”.
Enquanto isso... vamos cuidar da alma!
Para retratar a “pura possibilidade “que somos e que é, justamente, o que causa a angústia e o vazio no ser humano. Fernando pessoa propõe, para nossa reflexão:

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é a tua
Porque nem sorte se chama.

Bom senso das leis fatais
Que regem pedras e gentes.
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu,
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

 

Ir. Águeda