VIVER SE APRENDE

* Ir. M. Águeda C. Duarte

INTRODUÇÃO

         Na aprendizagem da vida é preciso dispor-se a acolher tudo aquilo que o viver lhe oferece.  Aqui se desenvolve o sentido do cuidado.

         Em que a vida precisa ser cuidada? A começar por mim mesma, que trago no meu interior os desejos mais profundos, ou seja, ser ouvida e respeitada nas condições de encontrar espaço humano para modificar o meu mundo individual e coletivo e buscar a integração do próprio ser.  Nesse processo, a fé também é integrada, conduzindo ao amadurecimento de toda a pessoa.

         Sabemos que, ao aprimorar a nossa conduta, pelo trabalho do auto-descobrir-se, esse exercício nos qualifica para interagirmos, de maneira alegre e positiva, com aqueles que nos rodeiam e, sobretudo, com a pessoa singular que somos.

         É o início da relação consigo, com as pessoas e com o criado, no respeito e acolhimento.

         Para se estabelecer o processo da ajuda não posso me esquecer de que entre o eu e o tu se estabelece o encontro entre duas liberdades, condição para a abertura e a entrega, pois receber a vida de alguém entre as mãos é um gesto de acolhimento, ternura e respeito e colocar a própria vida nas mãos de uma pessoa é sinal de entrega, coragem e confiança.  Desse encontro se firmam passos para o percurso da aprendizagem de si, dos outros e das coisas.

1º Passo

         Na trajetória da vida humana onde me encontro?  O que busco com o meu viver e quais as motivações que me trazem até aqui?

         Não importa em que ponto parei.  Em que momento entrou o caos por entre as frestas da existência.  Todo caminho de reconhecimento das mil possibilidades que tenho se abre, corajosamente, diante de mim, apontando-me saídas.

         Este é o momento de perceber-me, de prestar atenção se as transformações fazem parte do treinamento constante para melhorar projetos.  Diante dessa verificação, podemos sair em busca das pequenas verdades da vida, enchendo-nos de alegria e disposição para o encontro pessoal conosco mesmos.

         Como ponto de partida, nesse primeiro passo, acolher o meu ser finito, a minha humanidade, consciente de que cometer erros e fracassar na vida, faz parte do viver humano e é isso que nos caracteriza como seres mortais e limitados.

         Não temamos o confronto conosco mesmos, pois nenhuma transformação acontece sem incômodo e desconforto.

         “Ostra feliz não faz pérola” (Rubem Alves).

2º Passo

         Seja ousado.  É o momento de eleger o seu confidente, aquele ou aquela a quem abrirá o seu coração.

         Se você for atento e perspicaz, se colocará frente às pessoas, olhando-as sempre nos olhos.

         É preciso escolher...

         Observe, cautelosamente, as fisionomias e os gestos.  Eles indicarão a verdade que está no outro, mais que palavras!

         Nesse primeiro encontro deixe fluir em seu corpo a percepção do fenômeno que coloca o outro diante de si e a estranheza que envolve esse encontro, por meio das sensações inexplicáveis, sinais de uma gama de sentimentos.  É fundamental escutar esses sinais e, se possível, interpretá-los na hora oportuna para lhes dar consistência na escolha e, assim, iniciar o caminho da ajuda, na exploração do território interior.  É um percurso arriscado, mas lhe trará a satisfação da conquista de si.

         Desarme-se para a viagem, levando consigo somente o desejo de olhar-se sem medo, contemplando a obra prima que é, atento às pequenas descobertas no caminho, à simplicidade de cada passo, à maneira única de conduzir o seu viver.

3º Passo

         É hora de mergulhar na fonte profunda do próprio ser.  O caminho é gradativo.  Vai-se perdendo o medo, à medida que se dá os passos.

         O poço é fundo e só se chega às suas profundezas, abandonando-se à força da fonte, que traga para dentro de si as ilusões e as veleidades do existir humano.

         É preciso sentir-se afundado para, de novo, emergir à superfície de maneira nova e destemida.  Só após esse banho se é capaz de vislumbrar oportunidades novas de ir-se encontrando e refazendo a própria trajetória.  Não é preciso jogar nada fora, mas juntar tudo num mosaico vital que devolve serenidade, na sua contemplação.

         O hoje de sua história revela todo um caminho construído por sobre sonhos e desejos.  Ao percorrer esse caminho abrem-se-lhe perspectivas alviçareiras, notificando momentos especiais e únicos, cuja realização exigiu de você tenacidade e coragem.

         Grande satisfação colhemos ao depararmos com a pessoa singular que somos, única e irrepetível, portadora de esperança e luz.

         Dessa experiência profunda, na purificação das águas, você integrará todos os passos percorridos e matará o medo do vazio.

4º Passo

         De que necessito agora? O que busco?

         Algo dentro de mim precisa vir à tona, cessando a inquietação e a turbulência interiores?

         Observando os seus desejos, vão surgindo as expressões de sua vontade e do seu querer, na manifestação simples e clara daquilo que o deixa inquieto.

         O sofrimento é benefício, revelador das sombras que nos amarram aos fatos e circunstâncias.

         Manifestar o que nos perturba á abrir espaço para a compreensão de nós mesmos, unificando o pensamento e ajustando-o ao sentimento que dele brota.

         Desse passo corajoso, revelando o lado oculto de meu viver, vão surgindo percepções mais apuradas de tudo aquilo que incomoda e me desinstala.

         É exercício exigente e desbloqueador colocar às claras o que entrava o caminho e que precisa ser reorientado.  Não se trata de ignorá-lo ou reprimí-lo, mas olhá-lo benignamente, acolhendo a sua originariedade para, a partir desse encontro, cuidar, amorosamente, da raiz e de suas ramificações.

         Trata-se de revelar-se à pessoa certa e poder receber o abraço encorajador para o percurso em direção a si.

5º Passo

         “O que são os séculos perto do momento em que dois seres se reconhecem e se aproximam?” (Holderling).

         Na tarefa de aprofundar-se no poço do próprio ser se faz necessária a mão amiga da ajuda respeitosa de alguém que desperta, em nós, a consciência e nos assegura a posse do conhecimento que está dentro de nós.

         Todo ouvidos, o ajudador se coloca reverente para acolher a revelação e iniciar, juntos, o percurso exigente, mas libertador, do trabalho concreto do eu, que se resume na indagação constante de nossa própria condição e na responsabilização daquilo que se é.

         Sem dúvida, é um caminho espinhoso e arriscado e só a confiança em alguém especial é que desobstrui o canal da comunicação e aponta para a compreensão de sua originalidade.

         Essa consciência de si revela como tudo se enraíza no fundo da alma, provocando-a a dar uma resposta, a responsabilizar-se por seus atos e convicções mais profundas.

         É preciso tomar entre as mãos o seu momento presente, olhando-o com carinho e cuidado para transpor os limites da razão e nascer de novo.  Trata-se da descoberta da própria realidade, que dispõe o ajudado a re-conhecer algo que lhe é inerente e que o define como pessoa única e insubstituível, responsável por sua história.

6º Passo

         A concretização do encontro, mediante as escutas diferentes do nosso corpo, como manifestação fenomenológica, nos aprofunda na relação para encaminhá-la à admiração de tudo o que se manifesta, para colhermos o seu sentido próprio.

         Ao manifestar-se para o outro e ao acolher o seu relato, nesse movimento de interação, necessário se faz dispor o nosso corpo a três momentos importantes de que nos adverte Loloup.  Segundo esse autor, a escuta física é imprescindível para o segundo momento, o da escuta psicológica.  Ambas predispõem à escuta espiritual.  Sendo assim, todo o ser da pessoa é acolhido e escutado.

         Na escuta atenta do próprio corpo, ajudado e ajudador são beneficiados com a revelação de si mesmos, pois toda relação de ajuda gera benefícios.

         “O seu “eu” no corpo está querendo dizer alguma coisa”, assegura-nos Nietzsche.

         Na ultrapassagem do visível e do tangível, atingiremos o outro e somos nós mesmos atingidos, em toda a inteireza, pelo aparecimento fenomenológico daquilo que somos em nossa essência: pessoas em relação amorosa.

         A fala do interlocutor está além de suas palavras e nos convida a ouví-lo com os ouvidos do coração.

         Ir além da observação e sentir-se tocado pela estranheza de estarmos frente à diferença do outro, àquilo que constitui a teia existencial de seu viver diário, ao corpo de sua identidade.

         A escuta cresce...desperta a confiança.

7º Passo

         Extraordinário é assimilarmos a aprendizagem do nosso corpo no contato com a realidade nossa e do outro.  É a maneira mais atraente de nos colocarmos à escuta para que, nessa sensibilidade suspensa, possamos penetrar no coração da pessoa e da situação, de forma empática e plena.

         Que mistério insondável é o outro e eu mesma nessa interação, nessa aliança interior que, segundo Marcella Danon, me torna capaz de “ter no coração o percurso do cliente e cultivar uma real preocupação em relação a ele”.

         Dentro dessa compreensão e dessa prática, dá-se a acolhida incondicional, estabelecendo o encontro de pessoas.  Tudo é endereçado a esse encontro de silêncio, à absoluta gratuidade de dois seres que se compreendem e se completam.

         O caminho está se abrindo... despertando no ajudado a busca da autenticidade e da responsabilidade individual e  o seu livre arbítrio, ao conduzir, a pessoa mesma, os destinos de sua vida, animada pela verdade que a torna “si mesma”.

         Dentro desse caminho existencial que se constitui revelação máxima de todo um respeito pelo outro, na sua originariedade, vai-se conduzindo o processo relacional, ou melhor, deixamo-nos conduzir por ele, reverentes à vida, no exato momento em que a pessoa se encontra, lembrando sempre que é um caminho que ultrapassa a realidade, apontando para a superação e o transcendente.

8º Passo

         Como consequência desse falar e escutar, se impõe uma tarefa pessoal, nascida do próprio cotidiano, ou seja, escutar e se perceber para, daí, iniciar o trabalho de recompor os fatos e começar a dar sua resposta.  Trata-se da elaboração de sua história, o tomar nas mãos, com objetividade e coragem, tudo aquilo que constitui a essência de sua pessoa, nas malhas do viver diário.

         É bom escutar os sonhos e os projetos que estão entranhados em nós e desvelar o seu significado mais profundo.

         Nasce, diante dessa atitude, o insight filosófico que, ao lado do insight psicológico, muito contribuirá para o crescimento pessoal.

         De acordo com a logoterapia, aparece latente no ser humano a “vontade de sentido” que emerge do “sentido concreto de uma situação com a qual uma pessoa também concreta se vê confrontada”.

         A existência pede sempre de nós uma decisão e só a nós cabe o poder decisório para descobrirmos a nossa responsabilidade de escolher ou refutar, sabendo-se que é, justamente aqui, que está a singularidade de nosso ser pessoa.

         O que posso fazer de mim?  Que passos posso dar a partir da contemplação do meu ser, nesse exato momento?

         A mão amiga do ajudador o acompanha nesse itinerário, no acolhimento respeitoso de sua história, revestindo-se, também ele, dessa decisão a que nos lança a existência: “escolher-se ou conquistar-se” na opinião de Heidegger.

9º Passo

         Vivendo no empenho de se redescobrir, a pessoa está construindo a sua auto-estima, cujo processo de amadurecimento e bem-estar só a ela é dado promover dentro de si, numa compreensão das possibilidades que tem para se tornar “nova criatura”.

         A responsabilidade pela mudança determina os passos a serem dados para romper com o medo de se expor.

         Do diálogo assumido e levado a bom termo na percepção de si, se instaura o poder transformador para movê-lo a entrar no âmago de seu existir, o que “conduz aqueles que falam ao que está além das palavras”.

         Do exercício e da prática do diálogo encontramo-nos com o que há de melhor de nós e do outro.  Abrem-se perspectivas de maior compreensão e empatia.  A partir desse movimento integrador de manifestação e escuta, sentimo-nos envolvidos por aquilo que somos, por aquilo que constitui a nossa existência no viver cotidiano.  Faz-se luz pra enxergarmos as dobras secretas do nosso ser: entramos em comunhão conosco mesmos.  Essa é a tarefa mais gratificante da vida humana, que faz da pessoa protagonista de sua história, a grande responsável pela clínica existencial.  Esse empenho o leva a resgatar o propósito de sua vida.  Tendo-o claro para si, pode-se compreender o significado de tudo, como meio de realização da vida, com sentido.

10º Passo

         O momento requer introspecção.

         Você só pode perceber aquilo que é bom para você, “jogando o seu jogo”, isto é, tomando distância daquilo que os outros esperam de você e se concentrando nas suas possibilidades.

         Schopenhauer afirmava que desumano mesmo era quando flutuava sua auto-estima à semelhança de uma cortiça, ao sabor daquilo que pensavam dele.

         Nesse trabalho de resgate do que verdadeiramente nós somos, nos aproximamos, o mais que podemos, de nosso mundo interior e aguçamos a sensibilidade sobre o que queremos fazer.

         Brota desse empenho a intuição que nos aponta mudanças corajosas em nosso modo de pensar e agir.

         Quais são os seus desejos?  Eles são verdadeiramente seus?  Têm a capacidade de direcionar o seu viver, provocando o encontro consigo mesmo?  Isso só pode acontecer quando renunciamos às opiniões alheias para nos centrar no que há de mais profundo dentro de nós, naquilo que constitui a essência do nosso ser pessoa.

         A partir desse momento, vai surgindo nova orientação interior, conduzindo para a efetivação de gestos concretos, no encaminhamento de nossas indagações e dificuldades.  É o exercício livre e consciente do querer, revelado no poder de decisão.  Só você pode fazer isso por você.  É a soberania que exerce sobre a sua vida, no vislumbre promissor de soluções, no aqui e agora de seu presente, bem valioso e inadiável que possuímos.

         “A figura deste mundo passa...” (São Paulo).

11º Passo

         Tendo defrontado-se com as suas verdades, aprendeu a olhar o mundo e as pessoas com cuidado.  Nenhuma falsificação terá passagem grátis pelo filtro de sua sensibilidade.  Observe e esteja atento aos gestos e palavras, demonstrando, para si mesmo, atenção para não “comprar gato por lebre”.

         Dê, em seguida, os corajosos passos para a mudança, para a reformulação de sua ação, confiante na capacidade que está em você.  É o momento, mais uma vez, de se expor.  Só vencendo esse medo, fugiremos do grande mal que deforma a personalidade – a dissimulação.  Enfrentando-nos, avaliamos o presente para, daí, projetarmos o futuro.  É saudável que o nosso futuro seja projetado na essencialidade, pois o bem maior que possuímos é o presente.

         Ao nos apropriarmos do auto-conhecimento, percebemos que só valem a pena os exercícios e as informações que são filtrados pela dinâmica da vida, no seu ritmo próprio, nas circunstâncias  diversas.

         Há momentos que, se não mudarmos a maneira de viver, perderemo-nos a nós mesmos.  Toda mudança traz um alto preço, que precisa ser resgatado.

         Confiando em si e estando seguro dos passos que quer dar, a realização pode bater à sua porta.

         O saldo é sempre positivo.

12º Passo

         Expor-se a si mesmo é um exercício salutar.  É bom, por isso, poder contar com um ombro amigo, que fará consigo o percurso perigoso de olhar o próprio caos.  Deste fato nasce a conscientização dos pontos fracos, o que constitui um fator importante para caminhar no próprio chão e não tropeçar nas próprias falhas.

         Estar convencido da necessidade de reconhecer as próprias dificuldades é abrir-se à ação do controle interior.

         Que relação tenho comigo mesma?  Sou capaz de me cuidar, muito embora isso tenha sabor de egoísmo?  Com efeito, essa ideia é compreensível porque fomos educados, quer por princípios pedagógicos, quer por princípios religiosos, a pensar mais nos outros do que em nós.  O cuidado se dirige mais ao outro e às coisas do que a nós mesmos.

         A partir da prática do auto-cuidado, estamos aptos para cuidar do outro, fora de nós, uma vez que o outro, dentro de nós, não padece de carência de cuidado.  Reflitamos nisso nos momentos mais concretos da vida.

         Dê-se um pouco mais de atenção e as dificuldades, por si só, tomarão rumo certo, aparecendo, com nitidez, o passo seguinte para a solução daquilo que fora negligenciado.

         O próprio Sócrates recomenda o cuidado de si, a formação pessoal e o domínio do caráter.

13º Passo

         Para entrar em contato com o outro, manifestar-lhe o que pensamos e sentimos, as energias, que perdíamos no fechamento em nós mesmos, podem ser usadas de maneira saudável, orientando-nos à abertura, para chegarmos a ser francos e objetivos.

         Já treinamos o diálogo e, com isso, cresce a nossa auto-estima para poder enxergar o ponto de vista nosso e do outro e, assim, confrontá-los.  Desse equilíbrio nasce a autenticidade e a conquista da serenidade e da paz.

         Aprendizes dessa maneira de viver, estamos cultivando o auto-conhecimento, a franqueza e o resgate do bem viver com a prática da liberdade individual.

         Em toda situação de acerto ou desacerto, manifesta-se a finitude de nossa condição humana.  Sem moralismos e cobranças, olhemo-nos na bem-querença de quem se aceita na honestidade e perfectibilidade do viver humano.  Se sou benigna para comigo, o serei em relação ao outro.  Coloco-me na possibilidade de ser eu mesma, não importando o que pensam de mim.

         É o começo da liberdade interior e a visão aberta pra enfrentar os desafios diários, na segurança de quem se acolhe e se aceita como é.

14º Passo

         Há uma máxima que diz: “Esteja sempre conferindo sua maneira de viver!”

         Essa atitude positiva e salutar coloca-me na disposição de refazer o curso da minha vida, ao ritmo sereno das horas.  Trata-se das inevitáveis transformações que a vida me impõe.  Posso acolhê-las e processá-las ou, rigidamente, refutá-las, retardando o crescimento e acumulando sofrimento sobre sofrimento.

         Se olharmos atentamente para a harmonia das estações do ano, no seu desabrochar dinâmico, perceberemos o mesmo movimento no decorrer de nossa vida humana.  Nada é desconectado, perfazendo, por inteiro, a existência.  Cada dia carrega consigo a primavera da manhã, o verão do meio dia, o outono da tarde, com os frutos colhidos do trabalho, e o inverno, que leva ao repouso e à meditação.

         A natureza toda se transforma.  Já não somos os mesmos no final da jornada.  Passamos pela fase da infância, a manhã promissora da vida cotidiana.  Chegamos à maturidade, que o meio dia nos presenteia, para sermos conduzidos à velhice, manifestação de um longo caminhar, a consolidação final.

         De avaliação em avaliação de nossa vivência diária, somos convidados a experienciar, plenamente, cada momento para, no final, podermos dizer a nós mesmos: “Combati o bom combate, guardei a fé...” (São Paulo).  Ou, ainda: realizei o projeto do meu viver humano, na conquista e na gratuidade do dom da vida!

15º Passo

         Quando Nietzsche aconselha a prática e a ação, ele resume toda a sabedoria do viver filosófico.

         O pensamento que pensa não para somente na informação; lança-se, vigorosamente, na possibilidade de transformar-se em ação, que vitaliza e faz acontecer o crescimento e a mudança.  O movimento é imperceptível, mas real, feito lentamente, por meio do treino constante.  Recomenda-nos o filósofo: na mudança fique com as pequenas doses, pois são mais consistentes e, em geral, colocam-nos em contato com o que está próximo e é habitual.

         Com essa disposição, o nosso espírito se reveste de alegria e leveza, colocando-nos frente às pequenas verdades existentes em nós, no outro e na vida.

         Não tenhamos medo do passo seguinte, pois o caminho se faz caminhando.  Exige-se somente perseverança no trabalho pessoal e, jamais, fingirmos a nós.

         Uma boa metodologia para cultivarmos o prazer simples e o bem-estar é rememorarmos os momentos felizes que vivemos e que amamos verdadeiramente.  São luzes que se irradiam no presente em que vivemos, pois voltamos a experimentar essas emoções e sentimentos, lançando-nos, confiadamente, ao futuro que se abre à nossa frente.

Últimas considerações

         Como síntese perfeita de nosso caminhar, ao longo desses passos dados, trazemos para nossa reflexão final um poema de Paul Simon, que tem como título “Quiest”:

 

                  “Estou rumando para um

                  Tempo de quietude

                  Quando minha ansiedade passará

                  E eu poderei descansar

                  No meu leito

                  Estou rumando para um

                  Tempo de solitude

                  Um tempo de paz

                  Sem ilusões

                  Quando um círculo perfeito

                  Unirá começos e conclusões”

Campinas, outubro/2008

 

OBS: As informações mais precisas e completas sobre Counseling podem ser encontradas no site do Instituto IATES:  http://www.iatescuritiba.com.br

        

REFERÊNCIAS

 

BUZZI, Arcângelo R. A Identidade Humana – Modos de realização.  Petrópolis: Ed. Vozes, 2002

_____________ . Itinerário – A clínica do humano.  Petrópolis: Ed. Vozes, 1977.

DANON, Marcella. Counseling – uma nova profissão de ajuda.  Trad. Adalto Luiz Chitolina.  Curitiba: Iates, 2003.

FERRY, Luc. Aprender a viver – Filosofia para os novos tempos.  Trad. Véra Lucia dos Reis.  Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

FRANKL, VÍKTOR E. A presença ignorada de Deus.  Trad. Walter O. Schlupp e Helga H. Reinhold.  São Leopoldo: Ed. Sinodal; Petrópolis: Ed. Vozes, 2007.

HEIDEGGER, M.  Ser e Tempo. In: BUZZI, A.R. Filosofia para principiantes – A existência humana no mundo.  Petrópolis: Ed. Vozes, 1992.

LELOUP, Jean-Ives.  O corpo e os seus símbolos.  Petrópolis: Ed. Vozes, 2005.

MARINOFF, Lou.  Mais Platão, Menos Prozac.  Trad. Ana Luiza Borges.  Rio de Janeiro: Ediouro, 2005.

ROOS, Theo.  Vitaminas Filosóficas, a arte de bem viver.  Trad. Maria Aparecida Barbosa.  Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2006.

YALOM, Irvin D. A cura de Schopenhauer.  Trad. Beatriz Horta.  Rio de Janeiro: Ediouro, 2005.


* Currículo e Formação - Ir. Águeda

É religiosa Franciscana Missionária do Coração Imaculado de Maria.

Licenciatura Plena em Letras pela Universidade Estadual de Ponta Grossa – PR

Formação em Espiritualidade Franciscana pelo CEFEPAL (Centro de Estudos Franciscanos e Pastorais da América Latina) – Petrópolis – RJ

Formação em Parapsicologia e Religião pela Faculdade de Educação de Guaratinguetá – SP e CLAP (Centro Latino-Americano de Parapsicologia – SP)

Especialização em Counselig pela Faculdade União de Ensino Vila Velha S/C Ltda de Ponta Grossa – PR e IATES (Instituto de Aconselhamento e Terapia do Sentido do Ser) de Curitiba – PR