Palavras iniciais...
No 2º trimestre, realizamos mais um projeto interdisciplinar (História e Português 2), no 9º ano, a partir da leitura extraclasse proposta para o período.
Sabe-se que, para a construção do conhecimento histórico, é importante recorrer a diferentes fontes de informação. Entre elas, encontra-se a literatura. Assim, ocorreu-nos a ideia de usar uma obra literária, no caso, A Revolução dos Bichos, de George Orwell, como elemento motivador para uma reflexão sobre alguns assuntos, como terra, trabalho e propriedade, confrontando-os, simultaneamente, com socialismo e capitalismo, autoritarismo e democracia.
O trabalho foi realizado em etapas, passando por uma pesquisa individual; uma socialização, em grupos, dos resultados, até chegar aos produtos finais: criação de mais um capítulo, ao final do livro, relatando como foi o desfecho histórico do sistema político abordado na obra em foco e idealização de uma fábula, contextualizada na atualidade, abordando algum problema enfrentado por nossa sociedade.
Os resultados foram muito bons, revelando criatividade e envolvimento de nossos alunos. Desse modo, estamos disponibilizando aqui algumas dessas produções.
Boa leitura!
Nylce e Regina
 A Cobra e o Avestruz
No primeiro dia de volta às aulas, na selva dos bichos, todos os animais se preparavam para ir à Escola Corujeira. Alguns estavam ansiosos para retornar à escola e encontrar os amigos; já, outros, dariam tudo para ficarem de folga por mais 10 anos.
Ao ouvirem o “trim” do sinal de entrada, os bichos se dirigiram à aula que os ensinaria como fugir de um predador. Mas, antes disso, precisavam buscar seus materiais nos armários. Indo até lá, o Avestruz, sem querer, pisou no rabo da Cobra Coral, que estava absolutamente linda, com todas as grifes daquela selva. Esta, furiosa, começou a humilhar o Avestruz na frente de todos:
- Veja o tamanho dessas suas pernas peludas e nojentas! Você é tão destrambelhado que nem sabe andar direito!
Com a cabeça baixa, o Avestruz tentou se desculpar, mas acabou piorando a situação.
- Pois fique sabendo que eu não aceito suas desculpas! Onde já se viu uma ave que não voa, e que, ainda por cima, fica enfiando a cabeça embaixo da terra, pisar em meu rabo?
A cobra tinha simplesmente humilhado o coitado, e todos ao seu redor estavam rindo dele. A partir daquele momento, o Avestruz teria que aguentar deboches e risadas todos os dias, sofrendo em silêncio, pois não tinha outros amigos.
Ao entrar na sala, o Avestruz isolou-se em um canto e, quando a professora Coruja começou a dar a matéria, surgiram dúvidas em sua cabeça a respeito do assunto. Timidamente, pediu licença para esclarecer sua dúvida. Pelo visto, ele entendera a matéria errado e, quando fez sua pergunta para a professora, todos os outros começaram a rir de sua cara, principalmente a Cobra:
- Eu falei, esse bicho não presta pra nada! Nem devia sair daquela toca onde vive.
O Avestruz abaixou a cabeça e ficou quieto, envergonhado.
- Oh, que comovente esta cena, está quase chorando, vai chamar sua mamãe, vai!
A professora Coruja, indignada com o que estava ouvindo, interferiu:
- Srta. Coral, onde estão os seus modos? Todos aqui têm o direito de perguntar o que quiserem, afinal, vocês estão na escola para aprender. Todos nós temos defeitos e qualidades. Você, por exemplo, não pode correr. Já o Avestruz, com sua grandes pernas, dá longos passos e tem capacidade para correr em até 65 km/h! Você não deve esnobar seus colegas pelo que aparentam, pois o que realmente vale é o que temos dentro de nós. E não importa se alguém é feio ou tem defeitos, pois ninguém é perfeito, e temos que respeitar cada um pelo que é.
Então, o Avestruz se levantou e disse:
- Como você acha que eu me senti ao ser humilhado na frente de todos?
Arrependida, a Cobra respondeu:
- Desculpe-me, eu acho que tomei a atitude errada, deveria ter me colocado no seu lugar antes de dizer tudo aquilo.
-Suas desculpas eu aceito. Mas a confiança...vaou demorar pra recuperar, respondeu o Avestruz.

MORAL – Não faça com os outros aquilo que não deseja que lhe façam.

9º C
Gabrielah Cordeiro
Jéssica Nacazume
Larissa Chad Capasso
O leão e o cavalo
O leão passeava pela sua selva, esbanjando poder, pois sabia que todos tinham medo dele, por ser o rei da selva. A verdade era essa mesmo, todos os animais temiam o poderoso leão. Paravam o que estavam fazendo para olhá-lo. O leão sabia que era muito admirado e que não iria ser questionado por nenhuma de suas atitudes. Saía pela floresta e amedrontava todos os outros animais, o matava-os ou roubavam suas coisas.
Certo dia, o rei resolveu amedrontar umas galinhas e roubar seus ovos, pois elas eram fracas, sem defesa. O leão se aproximou e, se um só pulo, roubou todos os ovos e saiu pela selva com a galinha e os ovos na boca. O cavalo era um animal que não aguentava os abusos do leão e, ao ver o que foi feito com a galinha, resolveu reagir. Então, quando o leão foi de novo roubar os ovos de outra galinha, interrogou-o:
- Você não tem vergonha?
- Vergonha do que? – questionou o leão.
- Você é muito maior do que essas galinhas e só porque é grande pensa que pode roubar seus ovos?
- Você veio aqui só pra me falar isso? Minha consciência não vai pesar por sua causa, olha o seu tamanho, você pode ser grande, mas ninguém pode comigo.
O cavalo, ao ver que o leão não se abalou com o que ele tinha dito, resolveu chamar seus companheiros para dar uma lição no leão. Então, mais tarde, enquanto este estava dormindo, chegou o cavalo e o seu bando à caverna do leão. O animal logo acordou, e, vendo aqueles cavalos, começou a rir.
- O que vocês querem aqui? Não sabem que eu posso acabar com vocês em um instante?
- Em um instante, você acaba com um de nós, mas não com todos – disse o cavalo – estou vendo que matou mais uma galinha.
Percebendo a provocação, o leão partiu para cima dos cavalos que o imobilizaram em apenas alguns segundos e só não o mataram por compaixão.
Moral: Não se ache superior só porque tem alguma força e poder temporários. (Alguns fatos de nossa política atual?)
Nada como um dia após o outro.
A união faz a força.
9º A
Thais Diniz Jacome da Paz
Carolina Ribeiro
Daniela Paiva
Paula Lie
O cavalheiro e o vagabundo
Era uma vez, um grupo de cachorrinhos de rua. Um dia, Rex, o cachorrinho da madame Correia, observava, da sacada do enorme flat de sua dona, os cachorrinhos, no lixo, a brincar. Rex queria proteger sua amada cria da plebe que se encontrava no meio de todo aquele lixo. Desceu, então, para expulsá-los de sua privilegiada visão. Ao encontrar os cachorrinhos, resmungou:
- Vocês são uma má influência para meus filhos, seus vagabundos! Saiam daqui! Meus filhos querem brincar aqui.
- Por que acha que pode nos tirar daqui, se esse nem é o seu território? – questionou João, o líder do bando, indignado.
Rex, revirando os olhos, enojado com a insolência daquele ser inferior, retrucou:
- Pois sou superior a vocês, óbvio! Moro em um flat de alto padrão, vocês, na rua. Tenho minha almofada macia para dormir, enquanto vocês mal sabem onde passar a noite. Como minha ração balanceada enquanto vocês fuçam latas de lixo para achar restos. Meus filhos já têm futuro nas mais nobres famílias dessa cidade, e não nessa espelunca que vocês chamam de lar.
Insistindo os cachorros em continuar no local, Rex chamou seus “amigos” Hottweillers e Pit Bulls que, rapidamente, afugentaram o bando.
Com a praça liberada, os filhos de Rex foram brincar de bola. Um deles, Rolinha, jogou a bola na rua. Bolinha, o outro filho, foi, imediatamente, buscá-la, mas sem ver que carros vinham em alta velocidade. Um carro vinha direto em sua direção, mas João, que observava do outro lado da rua, de um salto, jogou Bolinha longe do carro, a tempo de salvá-lo. O carro, no entanto, atropelou João, que morreu. Rex, que nada havia tentado fazer para salvar o próprio filho, chamou os outros rebentos sem, ao menos, agradecer os outros membros do bando e pedir desculpas. Nem com a morte, ele conseguiu perceber o quão egoísta era.

MORAL: Dinheiro apenas não faz o bom caráter.
(Alguns de nossos políticos em relação ao povo?)
9º C
Artur Tadeu Paschoa
Daniela Cordeiro
Vanessa E. Gonçalves
O LEÃO E A RAPOSA
Estavam ocorrendo eleições para a escolha do líder do zoológico. O leão Leopoldo concorria ao posto e a raposa macho Jacinto Tavares também.
Todos os bichos do zoológico estavam comentando que Leopoldo ganharia, pois era o mais carismático, porém muito seguro de si e sem malícia alguma.
A cobra Celeste, enviada por Jacinto Tavares, fingia ser amiga de Leopoldo, mas subornava os eleitores, ameaçando envenená-los caso não votassem na raposa.
Certo dia, a coruja Brigitte, conselheira do leão, avisou:
- Leopoldo, meu filho, fique atento, pois Celeste planeja algo que irá prejudicá-lo nas eleições.
- Brigitte, não seja tola, ela é minha amiga! Não há motivos para desconfiança.
- Depois não fale que eu não lhe avisei! – retrucou a velha coruja, ofendida.
No dia do resultado das eleições, tudo indicava a vitória de Leopoldo, mas este se surpreendeu ao descobrir que havia perdido para a astuta raposa.
Jacinto Tavares comemorava ao lado de Celeste.
- Por quê?! Não posso entender! Todos os animais do zoológico me amam! Isso tem que estar errado! Sou o candidato melhor preparado para o cargo! – rugiu o leão, inconformado.
Brigitte passou voando e exclamou:
- Eu te avisei! Celeste te enganou, comprou votos, subornando os eleitores!
Moral: Pode fingir que não vê, mas não reclame do que virá.
Quem avisa amigo é!
(Qualquer semelhança com nossa politicagem não é mera coincidência.)
9º B
Júlia Dias
Luiza Camiloti
Eduardo Paiva |